O nascimento e a chegada para a família adotiva podem ser considerados dois importantes marcos na vida de uma criança ou adolescente. A adoção é um ato de verdadeiro amor e aqueles que desejam realizar um processo de adoção, que o façam com sabedoria, considerando os reais benefícios para todas as partes envolvidas, visto que será uma decisão que mudará para sempre as suas vidas.
Após a adoção, naturalmente, surge a famosa dúvida: Contamos ou não para essa criança sobre a história dela?

Particularmente, penso e acredito que a verdade será sempre e em qualquer situação o melhor caminho… E quanto mais nova for a criança, mais flexível ela será para se adaptar às novas situações. Para alguns pais, contar a verdade pode ser muito difícil, mas acredite, ficar na mentira será muito mais difícil e mais trabalhoso.

Não permita que os seus medos influenciem no direito que a criança tem de saber sobre a sua origem. Por isso, quanto mais natural a história dela for contada, quanto mais aberto for o diálogo desde o início, melhor será para toda família. E a história dela pode ser contada de uma maneira muito bonita e de uma forma lúdica, utilizando livros ou personagens no início, para que a criança se familiarize com o assunto, para que tão logo possam incluí-la em sua história real, de uma forma bem tranquila e com maior naturalidade. Porém, como dito anteriormente, considerando que a verdade sempre prevaleça.

Acolher e construir uma nova história junto a essa criança ou adolescente, demonstrando muito amor e afeto, possivelmente evitará novas inseguranças ou medo do abandono. Quanto mais seguro seu filho se sentir agora, mais independente ele se tornará no futuro. Mas, isso não significa que deverá tratá-lo diferente, caso haja outros filhos biológicos nessa família, nem muito menos, educá-lo com maior liberdade, com justificativas ou preocupação quanto uma possível rejeição ou sofrimento por parte do adotado.

A criança somente poderá vir a ter prejuízos psicológicos por conta da adoção, se a sua história gestacional não for integrada a sua história pessoal. Portanto, mesmo sabendo que essa criança um dia possa ter tido uma história difícil, isso não determinará os caminhos que ela irá trilhar. Então, permita que a criança conheça os seus “dois começos” e que possa traçar o seu futuro de uma forma saudável, recebendo uma boa educação e muito amor, e ela poderá sim, tornar-se uma criança feliz, e futuramente um adulto bacana, mais confiante e repleto de amor para oferecer.